Anna Cláudia Ramos

Escritora

Anna Claudia Ramos_foto de Isabela Kasso

Já nasci menina "inventadeira". Sempre inventei tudo o que queria ter. Sempre quis ser mais de uma. Achava que uma só vida era muito pouco para uma pessoa. O fato de ter nome composto ajudou um pouco a resolver essa questão. Sempre fui muitas: Anna, Anninha, Claudia, Claudinha, Anna Claudia, Clau… para cada nome uma história, uma possibilidade de ser. Tive uma infância feliz, brinquei muito. Nasci numa família que respeita o jeito de ser de cada um. Meu pai e minha mãe me deixaram brincar de tudo, de bonecas e casinha a carrinhos, futebol e jogo de botão. Por isso mesmo, nunca ouvi que existia distinção entre brincadeiras de meninas e meninos. Brincadeira era coisa de criança. E pronto! Ter crescido numa família como essa me deu força para ser quem eu era. E, antes mesmo de saber ler e escrever, a minha irmã escrevia as histórias que eu inventava. Minha mãe guardou uma dessas histórias. Hoje sei que a semente da escritora já estava germinando em mim. Escrever, foi a forma que encontrei de nunca parar de brincar. De nunca parar de inventar mundos novos para morar. E assim, lendo muito, estudando muito, imaginando muito, tornei-me escritora. 

Quando criança adorava histórias de Lobo, sobretudo, quando eu podia enfrentá-lo junto com as personagens do livro. Enfrentar o Lobo me dava coragem para enfrentar o escuro do longo corredor da minha casa. Ouvir histórias cria muitas narrativas, ainda mais se contadas com afeto. Depois, quando me tornei mãe, sempre contei histórias de Lobo, Bruxas e tudo o que faz parte do imaginário das crianças. Quando meu filho mais velho tinha por volta de uns dois aninhos, nós caçávamos Lobo Mau em Lumiar. Era muito divertido. Nós calçávamos nossas galochas e pegávamos um pedaço de madeira para enfrentar o Lobo na mata que ficava perto de nossa casa. O curioso é que sempre escutávamos o uivo do Lobo, ouvíamos seus passos, víamos suas pegadas, mas nunca conseguíamos ver o Lobo. Descobrimos que isso não era um problema, podíamos aprender a conviver com Lobos. Mas com a certeza de que estávamos aprendendo a nos proteger dos perigos. Por isso, acredito que aprendemos sobre medos e coragem com as histórias inventadas.

 

Se quiser conhecer mais sobre minha vida e meus livros, faça uma visita ao meu site: www.annaclaudiaramos.com.br. Vai ser legal te ver por lá!

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